
Elegância, maturidade e verdade. Sofia Alves regressa ao horário nobre com um papel exigente, e volta a lembrar por que motivo é uma das maiores atrizes do país.
Há papéis que parecem ter sido escritos à medida de determinados atores. O que foi entregue a Sofia Alves nesta adaptação de Páginas da Vida é um desses casos raros em que talento e personagem se encontram no ponto exato. Recordo-me do momento em que foi anunciada para o papel. Entre jornalistas, a reação foi unânime: “Só podia ser a Sofia”. Não por falta de alternativas, mas porque há escolhas que fazem sentido imediato.
Mas a Sofia não é apenas, arrisco-me a dizer, uma das melhores atrizes da ficção nacional. É uma presença inteira. Alguém com valores sólidos, com uma empatia que atravessa o ecrã e dá verdade às personagens de forma quase desarmante. Quem trabalha com ela diz o mesmo: respeito absoluto pelos colegas, pela equipa técnica, pela comunicação social. Uma postura que não nasce do acaso, mas de carácter. Algo que, no meio artístico, é um atributo que nem sempre é proporcional ao talento.
É importante que um grande ator seja também uma boa pessoa. Que saiba lidar com a exposição pública sem perder o essencial. Que perceba o peso e a responsabilidade que a sua visibilidade tem junto do público. E basta conversar cinco minutos com Sofia para perceber onde está o seu centro: na família, na serenidade do quotidiano, na arte como forma de contribuir para uma sociedade mais consciente, sem nunca se deslumbrar com os holofotes.
A trama aborda temas complexos, e é inquietante (até revoltante) perceber que, vinte anos depois da estreia da versão original, em 2006, continuam tão atuais. Talvez até mais. Vivemos tempos em que parece fácil perder o norte coletivo. E é precisamente por isso que precisamos de atores que saibam dar a estes temas a dimensão certa. Sem exageros, sem artifícios mas com verdade.
Bravo Sofia, obrigado por elevares, uma vez mais, o patamar da ficção nacional. E isso é um grande motivo de orgulho coletivo. Um brinde a ti!